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20.03.2018Muito se fala e ouve sobre a necessidade de estratégias de mídia que levem em consideração os pontos de contato com os consumidores, sem distinção de on e off.

Mas para que isso seja aplicado na prática, algumas crenças sobre o consumo de determinadas mídias precisam ser revistas. Esse é o caso da televisão.

Quando se fala no consumo da TV, é muito comum a ideia de que as pessoas estão deixando de assistir essa tela. Somada à crescente audiência dos usuários do Youtubesurgem previsões de que as emissoras de televisão estariam com seus dias contados.

Entretanto, essa ideia ignora alguns fatores.

A EXPECTATIVA DE VIDA ESTÁ MAIOR

Um levantamento feito no ano de 2017 apontou para um cenário contraditório, no qual, de um lado existe uma população jovem que cada vez assiste menos TV e do outro lado o número de horas que o brasileiro passa em frente a ela, que cresceu nos últimos anos.

A contradição está justamente ligada a pirâmide etária, a expectativa de vida aumentou e muitas das pessoas que cresceram com o hábito de assistir televisão frequentemente, permaneceram com ele.

Embora o jovem assista menos TV, isso não significa que ele não seja impactado por essa mídia.

AS PESSOAS SÃO MULTI TELA

Enquanto assiste TV, grande parte das pessoas está conectada em suas redes sociais por meio de algum dispositivo. Essas conexões vão além de somente usar as duas mídias simultaneamente. O telespectador gosta de comentar o que vê na TV em suas redes sociais.

Programas como o Masterchef exibido pela rede Bandeirantes, estão no topo dos mais comentados e percebendo esse movimento do público, estimula o uso de hashtags que são contabilizadas e exibidas durante a programação, indicando o número de menções que são feitas durante sua exibição.

 

As pessoas utilizam o conteúdo que veem na TV para gerarem conteúdo para suas redes sociais.

E o inverso também acontece. Durante os programas diários de exibição de clipes da MTV, os tuítes do público aparecem na tela, gerando um conteúdo mais interativo.

Embora o compartilhamento de telas seja comumente atrelado ao público mais jovem, este comportamento não é exclusivo dele. Se olhar ao redor, é possível ver uma grande quantidade de pessoas de todas as idades, que entre uma atividade e outra conferem as notificações na tela de seus dispositivos, esse comportamento se repete em diversos momentos, inclusive enquanto assistem a TV.

COMPORTAMENTOS MUDAM E AS COISAS SE REINVENTAM

Esse é um dos fatores mais importantes quando se fala no consumo de uma forma geral, inclusive de mídia.

As emissoras de televisão vêm adotando um formato muito mais interativo em seus programas, no qual, a participação do público é essencial para o andamento da programação. Enquetes, pedidos de fotos e vídeos, pausa para ler os tuítes do público, são uma realidade bastante frequente há algum tempo.

Há ainda um movimento por parte das emissoras em trazer os ídolos do Youtube, Instragam e do não mais tão usado Snapchat, para os programas de televisão. Uma forma de atrair o público desses outros canais.

A forma de transmitir o conteúdo também vem se reinventando e algumas emissoras de televisão estão há algum tempo investindo em conteúdos multiplataforma e on demand.

Embora a televisão componha o grupo das conhecidas mídias tradicionais, isso não quer dizer que ela viva em um sistema tradicionalista. Ao contrário disso, assim como todas as mídias existentes, ela precisa se reinventar, acompanhar as transformações sociais que ocorrem no mundo.

O fato de uma mídia ser consumida, não torna seu uso obrigatório em todas as estratégias de comunicação de uma marca. Mas saber que ela é consumida e o como é consumida, influencia diretamente na definição das estratégias.

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Esther Almeida - Conectando Múltiplos Canais