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Um ponto de vista diferente

03.05.2018Não sou administrador, nem tenho anos de estrada, muito menos um exímio economista (se fosse, o fim do mês não seria tão sofrido!). Sou publicitário, diretor de arte de formação e entusiasta do mundo digital desde que os primeiros modens começaram a chiar por aqui em meados dos anos 90.

E em 2016 comecei o job mais desafiador – e assustador – que já havia entrado em minha pauta: assumir a liderança da CMC, a Central de Marketing e Comunicação.

O briefing começava promissor: uma agência com 25 anos de mercado, pioneira em quase todos os movimentos que fez, de sua fundação, que iniciou a atividade em nossa cidade, passando pelos primeiros cases de relacionamento e database marketing até o primeiro núcleo de inteligência digital de Santa Catarina. Uma agência tradicional, mas que sempre se movimentava para modernizar-se.

Tudo levava para uma jornada linear de crescimento, negócios e criações. Só que, como todos sabem e vivenciaram, 2016 ficou conhecido como o ano da crise do mercado ou, como prefiro pensar, o ano em que todos descobriram suas próprias crises. Digo isso pois, da maneira como hoje eu analiso esse período, os movimentos do mercado só serviram para evidenciar nossos próprios problemas, aqueles que já vislumbrávamos e não dávamos a devida importância, até aqueles que a gente ia varrendo para debaixo do tapete, na esperança de que uma hora eles iriam sumir sozinhos.

E nessa nossa crise fui percebendo que, quanto mais estruturados e (aparentemente) organizados parecíamos, mais frágeis éramos. Que era muito fácil “fazer e acontecer” com a segurança financeira, com a estabilidade dos contratos e que era chique ter uma assinatura de e-mail com um cargo reluzente.

Pois a crise bateu forte e, quanto mais esperávamos que os cargos resolveriam e que os contratos eram garantidos, mais coisas deram errado. E foi aí que descobri o grande poder transformador de uma empresa: as pessoas.


Ver as pessoas além do cargo, da função, da estrutura, me possibilitou enxergar as possibilidades e oportunidades reais e valorizar elementos que parecem óbvios e batidos, mas que normalmente deixamos “virar paisagem”, como conversas de qualidade e o propósito de cada um. Estou colocando esses dois juntos pois um possibilita o outro. Foi melhorando a qualidade de diálogo, aos poucos, às vezes mais com uns, outras vezes com outros, mas sempre tentando chegar em todos, que pude enxergar maneiras de trabalhar o propósito de todos em prol de um só projeto, uma nova CMC.

Claro que não foi de uma hora para outra. Do início de 2016 até nossa virada, em setembro de 2017, foram muitas conversas, muitas outras “crises internas” e muita, mas muitas mudanças. Desde pessoas, algumas que foram e outras que chegaram, mas todas deixando uma contribuição muito valorosa, passando pela nossa sede, a qual desapegamos e abrimos toda nossa casa para outra empresa estruturar um coworking, e hoje fazemos parte de uma nova comunidade colaborativa e compartilhada, até a nossa marca e posicionamento, cunhando “Novas Definições de Agência”. Com isso a CMC tornou-se muito mais do que Central de Marketing e Comunicação. Agora ela é Com Mais Conversas, Curte Muito Criar, Cérebro Mais Coração e até Comemos Muito Canelone.



Essas mudanças, não só criativas e de marca, mas de mindset, são resultado de muita, mas muita conversa, abrindo um canal livre de estruturas, horizontal e, principalmente, sincero e desapegado, que deu a toada de todo nosso planejamento, que foi feito com todos da agência, sem exceção, para termos o máximo de opiniões e pontos de vista diferentes possíveis. Foi aí que reformatamos a nossa CMC, com uma visão colaborativa e focada no propósito e nos desejos de todos.

Com isso mudamos até nossa maneira de trabalhar. Sem estruturas, sem cargos, mas com pessoas empregando suas competências e, por que não, aprendendo novas habilidades em frentes de trabalho renovadas. Não deixamos de cuidar de marcas e contar histórias, mas agora também estamos preocupados em levar conteúdos e educação para todos, contribuindo para uma comunidade e um mercado cada vez melhor e mais capacitado, além de desenvolver processos que, ao invés de só entregar produtos para os nossos clientes, trazemos eles para criar conosco, proporcionando experiências de co-criação ricas e com muito mais significado. Pode conferir nas outras seções do nosso site, está tudo lá, pensado e desenvolvido por todos da equipe.


Podemos hoje abrir os noticiários e ver que a crise ainda paira sobre o mercado, mas a nossa, a que realmente nos impactou, está quase eliminada. O quase é por conta da nossa inquietude nata, de que sempre podemos melhorar, mas que com certeza agora estamos muito mais engajados no caminho de nossa jornada, norteados pelo propósito de todos e valorizando muito mais as relações na construção de um projeto único e colaborativo e que todos, comunidade, parceiros, clientes, podem fazer parte.

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Luis Hufenüssler Leigue - Causando Mudanças Criativas